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Centro de Investigação e Desenvolvimento de Espécies Autóctones

"viver em harmonia com a natureza"


Objetivo

O principal objetivo do CIDEA, através do seu departamento CLIMA, é o de fomentar a investigação aplicada nas áreas das Geociências Ambientais, em particular as que relacionem o clima, a sua variabilidade e as alterações climáticas com a evolução a cada momento dos ecossistemas e dessa forma com as medidas de mitigação e adaptação destes, quer sejam relacionados com as práticas económicas da agricultura e floresta, ou sejam relacionadas com a defesa da biodiversidade e do ambiente.

Contexto

Desde que os humanos iniciaram o processo de sedentarização, milhares de anos atrás, com a agricultura na base desse processo, que a relação direta entre o clima e a qualidade e quantidade das culturas colocadas no terreno foi identificada como o fator mais importante para a obtenção de mais e melhores produções.

A relação entre clima e agricultura resulta na extrema dependência das práticas agrícolas e florestais com as variações atmosféricas, e portanto na forma como alguns elementos climáticos, como por exemplo a precipitação e a temperatura entre outros, interferem na evolução das culturas e florestas assim como no crescimento e adaptabilidade dos animais.

Qualquer tentativa de promover e desenvolver as práticas agrícolas e florestais, seja para aplicação direta em atividades económicas, seja para a execução de ações com vista a melhorar e defender a biodiversidade no seu todo, passa por trazer para cima da mesa todos os tópicos que correlacionem o clima e as alterações climáticas com as particularidades de cada local, de cada cultura e de cada espécie autóctone animal ou vegetal que faça parte dos ecossistemas.

A situação no início do Século 21

As alterações climáticas caracterizam-se por uma mudança significativa e prolongada na distribuição estatística dos padrões meteorológicos que decorre ao longo de um período que pode ir de décadas a milénios. Nas últimas décadas, uma série de estudos e de indicadores têm revelado que o clima está a aquecer numa dimensão global, tornando dessa forma as mudanças climáticas na maior ameaça ambiental do século XXI, com consequências profundas e transversais a várias áreas da sociedade: económica, social e ambiental. Também o aumento do nível médio do mar e o derretimento do gelo no Ártico são indicadores de que as mudanças são reais e preocupantes.

Dep CLIMA 001

Fonte: IPCC Fifth Assessment Report - Synthesis Report

http://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/syr/SYR_AR5_FINAL_full_wcover.pdf

Por um lado a ocorrência fenómenos extremos cada vez mais frequentes e intensos tais como as ondas de calor, os episódios de precipitação intensa, as situações de seca e as consequentes perdas agrícolas, destruição de parques florestais e reservas da biodiversidade representam uma ameaça real para as várias economias e inclusive para as populações que através de fogos e de cheias atípicas são destruidores indiscriminados de bens e vidas. Por exemplo a região mediterrânica está a tornar-se mais árida e, por conseguinte, mais vulnerável a secas e incêndios florestais

Por outro lado as alterações climáticas também motivam a adaptabilidade, promovendo a alteração de comportamentos, a alteração de espécies vegetais e animais que melhor se adaptam às novas condições climáticas.

Qual o papel do CLIMA?

Com a forma de atuar do CIDEA, mais precisamente com a promoção e envolvência de parcerias locais e específicas, o departamento CLIMA assume um papel de promoção e desenvolvimento de mecanismos que integrem a informação edafo-climática recolhida a nível local para a elaboração de planos e cenários contendo uma visão mais global e assim permitir a tomada de decisões pelos diversos parceiros.

O CLIMA pretende acima de tudo sensibilizar para a necessidade de que os mais diretos beneficiários da execução de boas práticas de prevenção e mitigação dos efeitos das alterações climáticas que já se sentem e irão sentir ainda muito mais, possam prevenir e adaptar a sua forma de agir e assim consolidar a biodiversidade e equilíbrio dos ecossistemas onde se inserem e dessa forma aumentar a resiliência das suas atividades económicas, garantindo que estas se mantêm produtivas mesmo sujeitas aos fatores externos.

Objetivos específicos do Departamento CLIMA

  • Promover as relações necessárias entre os diversos parceiros com o objetivo de serem criadas as condições para a investigação das inter-relações entre o Clima e a evolução dos ecossistemas agrícolas e florestais.
  • Promover os projetos que possam contribuir para a divulgação, informação e promoção das boas práticas ao nível da adaptabilidade e resistência às alterações climáticas.
  • Promover a execução de políticas de responsabilidade social e ambiental como mecanismo de suporte ao desenvolvimento de projetos de monitorização dos mais diversos parâmetros meteorológicos.
  • Promover parcerias para recolha e tratamento dos mais variados dados meteorológicos.
  • Promover a divulgação da importância junto de entidades diversas tais como privados, sector público e organizações não-governamentais, do acompanhamento e monitorização local dos diversos parâmetros climatológicos.
  • Criar as condições para sensibilização e promoção junto das comunidades locais, incluindo as comunidades escolares, da necessidade de recolha e tratamento de informação do clima, assim como das consequências das práticas diárias de todos na contribuição para as alterações climáticas.
  • Suportar os parceiros dos diversos sectores agrícolas, florestais e produção animal, na interpretação da informação edafoclimática para a promoção de ações mais eficazes de prevenção, mitigação e planeamento a médio e longo prazo.
  • Apoiar tecnicamente os parceiros na instalação dos mais diversos sensores meteorológicos tais como a Temperatura do ar e do solo, Precipitação, Humidade relativa, velocidade e direção do vento, humidade do solo, insolação, PH do solo, contaminação das águas, etc.
  • Desenvolver metodologias de recolha de dados junto dos parceiros.
  • Desenvolver em parceria com as atividades económicas locais as metodologias e interpretação dos dados que mais se adequam às suas necessidades.
  • Promover a realização de estudos a médio e longo prazo da evolução local de alguns parâmetros meteorológicos como a temperatura, precipitação, ET0, água no solo e ainda de fenómenos, como geadas, ondas de calor, ondas de frio, etc.
  • Promover a analise das mudanças na evolução dos parâmetros meteorológicos, nomeadamente: aumento de temperatura, maior frequência de ondas de calor, maior frequência de períodos secos ou de eventos de precipitação intensa, entre outros.
  • Promover o acompanhamento em tempo real dos parâmetros meteorológicos: T (graus dia; numero de dias com T> 25, 30…), P (numero de dias com precipitação), HR, ET0, AS durante as diferentes fases vegetativas das culturas.
  • Promover a realização de previsões dos parâmetros meteorológicos para períodos variados de forma a efetuar uma prevenção em relação a fenómenos extremos que possam ocorrer (geadas, ondas de calor, precipitação intensa entre outros).
  • Colaborar no desenvolvimento de estratégias a curto, médio e longo prazo para a prevenção, mitigação, adaptabilidade e resistência dos diversos ecossistemas envolvendo as culturas agrícolas, florestais e a problemática dos incêndios agrícolas e florestais

 

Texto escrito conforme o Novo Acordo Ortográfico